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Artigo por Maria Flávia Tavares, Revista Dinheiro Rural, 15/04/2011
O agronegócio é o maior negócio da economia brasileira e da mundial e segundo o relatório anual Perspectivas Agrícolas 2010- 2019 , o Brasil terá a maior produção agrícola do mundo na próxima década. De acordo com a publicação, a produção agrícola brasileira aumentará 40% de 2010 a 2019 – sendo este um crescimento superior ao da Rússia, Ucrânia, China e Índia, que registrarão percentual médio superior a 20% no mesmo período.
O país se destaca nas exportações de suco de laranja e também na exportação de carne bovina, de frango e suína. Estima-se, inclusive, que a liderança brasileira na exportação de carnes bovina e de frango se manterá e o Brasil poderá chegar ao 3º ou 4º lugar nas exportações de carne suína, conforme dados do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA).
A projeção do MAPA é a de que no período 2019/2020 as relações exportação brasileira/comércio mundial serão as seguintes: carne bovina: 42,7% do comércio mundial, carne suína: 16% e carne de frango: 70%. No período 2009/2010 a 2019/2020, a taxa de crescimento anual das exportações brasileiras de carne será na carne bovina-3,90%, na suína-2,81% e na carne de frango-4,16%.
Outra posição de destaque do Brasil é na exportação de soja em grão, pois somos o segundo maior exportador do mundo. A crescente demanda chinesa por soja em grão provocou o crescimento da produção brasileira nos últimos anos. Segundo dados da Embrapa, no período de 1990 a 2005, a taxa anual média de crescimento das exportações de soja em grão foi de 14,82%, a taxa do óleo de soja foi de 8,6% e do farelo de soja, 3,16%. Esse grande aumento na quantidade exportada de grãos ocorreu a partir de 1996 e foi resultado da Lei Kandir, que desonerou de ICMS as exportações de bens primários, com o objetivo de trazer mais receitas para uma balança comercial que na época era deficitária.
O agronegócio brasileiro é competitivo do ponto de vista da produção e nos aspectos tecnológicos, com significativas vantagens competitivas. Mas vale destacar que o Brasil é exportador de commodities, produzidas em larga escala, com pouca diferenciação e preço inferior ao de um produto com valor agregado. É preciso exportar menos commodities e mais produtos com valor agregado, que sejam diferenciados e vendidos a preços mais elevados.
A agregação de valor trará benefícios aos produtores rurais e, em especial, ao pequeno e médio produtor que não tem condições de concorrer com uma grande empresa. Dessa forma, esse produtor, teria como opção desenvolver produtos para serem consumidos em um nicho específico de mercado, como os produtos certificados, orgânicos, os minimamente processados etc. Mas, para isso, é preciso que ocorram investimentos em pesquisas (vindas de institutos privados e particulares), associativismo e apoio do governo, além de um planejamento estratégico e o desenvolvimento de campanhas de marketing.
Para exemplificar como agregar valor à soja é algo possível e deve ser feito: em 1933, Henry Ford desenvolveu nos Estados Unidos o primeiro produto feito à base de soja: um painel de carro feito de plástico de soja e, desde essa época, novas tecnologias que incluem o grão foram descobertas. Entre os produtos à base de soja, desenvolvidos e patrocinados pelo governo americano estão: xampus para pets; lubrificantes para uso geral na casa, , fazendas, antiferrugem; isolante térmico para casas; velas feitas à base de cera de soja, produtos de limpeza,etc.
Esse foi apenas um exemplo de agregação de valor em uma cadeia produtiva do agronegócio, mas existem muitos outros, como no cacau, com o selo com aroma de chocolate, desenvolvido pelos Correios da França com o objetivo de conter a queda do volume de cartas após a popularização do e-mail, do MSN, etc., além de estimular o consumo de chocolate. Também é preciso citar o exemplo dos chocolates feitos com cacau diferenciado, que é produzido em regiões especiais, e os orgânicos, que vêm sendo consumidos cada vez mais no exterior e também aqui no Brasil.
Ainda que poucos há alguns exemplos de agregação de valor do Brasil, por meio da denominação de origem, como é o caso do Arroz do Litoral Norte Gaúcho, que obteve o selo emitido pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), atestando que o produto da região é diferente dos demais produzidos no Brasil, devido ao local em que é produzido. O INPI autorizou a utilização do selo a todos os produtores da região que conseguirem alcançar os requisitos mínimos exigidos (são cerca de 1,4 mil produtores de arroz em uma área que equivale a 130 mil hectares).
Além dessa, o Brasil possui hoje sete regiões registradas com Indicação de Procedência. São elas: Pinto Bandeira (RS), para vinho tinto, branco e espumante; Região do Cerrado Mineiro (MG), para café; Vale dos Vinhedos (RS), para vinho tinto, branco e espumante; Pampa Gaúcho da Campanha Meridional (RS), para carne bovina e derivados; Paraty (RJ), para cachaça e aguardente composta azulada; Vale do Submédio São Francisco (BA/PE), para manga e uvas de mesa; e Vale do Sinos (RS), para couro acabado.
Esses exemplos do Brasil e os dos Estados Unidos mostram que é muito melhor agregar valor e obter maiores lucros, do que exportar commodity e deixar o lucro para os outros países. Aliás, o Brasil é conhecido como o celeiro do mundo, mas de que adianta produzir tanto, se as estradas, os portos não conseguem escoar a produção? O governo tem uma parcela importante nisso, mas não basta, o produtor precisa se organizar, se informar, conhecer o que vem sendo pesquisado e tratar a sua propriedade como uma empresa rural, deixar alguns conceitos no passado e ir em busca de novos desafios.
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Adriano Maluf Amui - São Paulo/SP Em Breve
26/06/2012 - São Paulo/SP
Adriano Maluf Amui - 03/07/2012 a 06/07/2012 - São Paulo/SP
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