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Abaixo relacionamos uma série de artigos sobre temas variados dentro do mundo de Vendas, Trade e Marketing.
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Artigo por Adriano Amui, 21/07/2011
O Brasil vive um momento singular. Sua
estrutura macroeconômica, a projeção das companhias e dos produtos made in brazil, o bom desempenho em
vários segmentos de atividade e o mercado interno aquecido, tudo isso
impulsionado pela realização da Copa do Mundo de 2014, seguido de Olimpíada em
2016, fazem o país 'estar na moda', evidentemente em destaque dentro do bloco
dos BRICS. E essa atratividade não é abalada sequer diante de um possível surto
inflacionário e de problemas reconhecidos em áreas como energia e
infraestrutura de transporte. Há uma crença, portanto, de que esses problemas
são superáveis ou serão superados com todo esse desenvolvimento esperado.
Mas, apesar do momento propício, o país
vive um dilema de gestão porque há um “apagão” em algumas carreiras, devido,
por um lado, à carência de mão de obra e, por outro lado, ao baixo engajamento
e à alta rotatividade dos profissionais da geração Y. Assim, está-se diante de
um dilema: como dispor de recursos humanos, especialmente, de talentos, para
ajudar a conduzir o país em sua rota de crescimento?
Analisemos primeiro o apagão em certas
carreiras. Na última década, houve um boom
em vários cursos universitários mais up-to-date,'
como tecnologia da informação, gestão de mídias digitais, dentre outras.
Carreiras tradicionais, então, ficaram em segundo plano. Essa migração, então
relacionada a um pretenso ocaso das carreiras ditas 'tradicionais', foi melhor
detectada na rápida retomada na economia após a crise de três anos atrás,
momento em que as carreiras tradicionais voltaram a ter destaque.
A principal área “redescoberta” foi a
da engenharia, graças ao crescimento explosivo na construção civil, ligado ao boom imobiliário. Outras modalidades que
voltaram com força são as ligadas aos setores de mineração, logística, gás,
petróleo e da indústria naval
A maior atividade econômica, por sua
vez, aumentou drasticamente a competitividade entre as empresas que,
relativamente niveladas em qualidade de produtos, acabaram tendo que criar uma
enorme diferenciação, gerando aquecimento na demanda por profissionais de ramos
como comunicação empresarial, relações públicas, trade marketing, vendas, gestão empresarial, comércio exterior e,
mais recentemente, carreiras ligadas à sustentabilidade. Em relação a essa
última, vale ressaltar: segundo o relatório "Empregos Verdes no Brasil: Quantos São, Onde Estão e Como Evoluirão nos
Próximos Anos", lançado pela Organização Internacional do Trabalho
(OIT), em parceria com a ONU, em 2008, serão criados até 20 milhões de empregos
ligados a energias renováveis e tecnologias ambientalmente inovadoras até 2030.
Doze milhões serão criados apenas nas indústrias de bioenergia, como nas de
produção de etanol.
Mesmo com o maior número de
universidades e faculdades no país e com o estímulo do governo federal para que
toda a população tivesse acesso ao ensino superior, o país ainda enfrenta a
falta de profissionais qualificados nessas áreas com maior demanda. Faltam desde
mestres de obra até engenheiros ou analistas da área de petróleo.
Mas é no segundo eixo dessa discussão,
o baixo engajamento da geração Y, que está o maior desafio. O que está
acontecendo com a geração que já nasceu e cresceu com o doce sabor de estar conectado,
de lidar com ambientes multitarefa, de usar as redes sociais e outros
benefícios da sociedade hi-tech
atual?
Segundo pesquisas, essa geração se
considera superior em vários aspectos às gerações predecessoras. Além disso,
privilegiando uma maior liberdade de expressão, geralmente, apresenta atitudes
egoístas, quase egocêntricas. Esses jovens profissionais, portanto, chegam ao
mercado de trabalho com expectativas elevadas demais sobre sua carreira, numa
franca dissonância com as vagas oferecidas pelos empregadores. A consequência
direta é a frustração de parte a parte e, pior, uma alta rotatividade desses
talentos, impedindo, assim, um desenvolvimento contínuo na empresa em que
atuam, onde poderiam ter uma vivência mais real e, alinhados com as estruturas
existentes, atuar como agentes de mudança, potencializando a inovação.
Muitos gestores de áreas diversas e
pesquisadores já vêm percebendo esse cenário e se perguntam: que fatores
criaram essa situação delicada? Pode-se afirmar que essa geração vive em um
ambiente superprotetor, encontrado em escolas, famílias e grupos, sejam eles
sociais ou mesmo digitais (redes sociais). Essa esfera superprotetora faz com
que esses jovens superestimem seu potencial realizador, demonstrando confiança
excessiva nas suas competências e habilidades. É esta a causa de sérios atritos
quando, por exemplo, confrontados com os papéis e processos usuais de uma
organização privada, com metodologias e métricas estabelecidas, os nativos da
geração Y se veem diante de críticas, algo com que eles não sabem/aprenderam a
lidar.
Com alguma licença poética, poderíamos
dizer que essa geração está contaminada com uma certa glamorização do sucesso.
Muitos podem cultivar, em silêncio, a certeza de que são o próximo Mark
Zuckerberg e que, francamente, não tem cabimento se conformar com o reles papel
de um simples compilador de planilha num programa de trainees. Esses jovens acham, sinceramente, que estão em plena
condição de se tornar CEO da empresa de um dia para o outro.
Por isso mesmo, são exigentes: querem
salários altos, remuneração variável, horários flexíveis, liberdade para criar,
promoção rápida e folgas mais generosas. Um levantamento do site
CareerBuilder.com corrobora essa descrição anterior: os jovens profissionais
querem salários altos (74%); horários flexíveis (61%); promoção antes de um ano
na empresa (56%) e mais tempo livre e férias (50%). Tudo isso antes mesmo de
entregar qualquer resultado. Como não é fácil encontrar quadro semelhante em
qualquer empresa, eles se frustram e, vencidos por um impulso inicial,
frequentemente abandonam o trabalho sem pensar duas vezes.
Cabe incluir nesse breve mapeamento da
geração Y que, não raro, esses jovens sofrem de uma virtual incapacidade de
concentração. São erráticos, checando status em redes sociais, respondendo SMS
quase ao mesmo tempo em que respondem e-mails. A falta de um foco cognitivo
afasta (ou até impede) esses novos profissionais de um processo motivador ou
orientado à realização de tarefas no ambiente de trabalho.
Deve-se admitir que as empresas não
propiciam uma inserção (e não apenas inclusão) adequada desses jovens no
mercado de trabalho. Estruturas verticais demais e, digamos, virtual adoção de
uma transparência organizacional e de novas tecnologias (que está mais no nível
do discurso do que da prática cotidiana), impedem que a geração Y concretize
seu potencial transformador, dada a sua capacidade multitarefa e indisciplinar.
Se souberem aceitar e se adaptar a esses novos talentos, considerando-os como
uma oportunidade para alavancar o dinamismo e sair da zona de conforto, as
empresas podem alcançar ganhos extraordinários.
Para que sejam aproveitados esses
talentos, em um país em que falta mão-de-obra qualificada, e para que as
dissonâncias existentes sejam minimizadas, é preciso encontrar novas soluções,
considerando, especialmente, melhores estratégias de seleção e retenção de
talentos.
Para as organizações, um caminho é
iniciar um processo de engajamento já na fase de recrutamento e seleção,
proporcionando aos estudantes uma visão de curto, médio e longo prazo para as
oportunidades de desenvolvimento de suas carreiras, para dentro e para fora da
organização. É importante fazê-los compreender que, sim, existem os
empreendedores do mundo digital que ficam ricos da noite para o dia, mas ocupar
uma posição numa organização requer conhecimento e cumprimento do escopo e dos
processos definidos à priori e é só a partir disso que as empresas definem suas
expectativas primárias em relação a seus recursos humanos. Essas ações voltam-se
mais ao gerenciamento da ansiedade, que pode parecer um item bastante
irrelevante na agenda dos gestores de RH. Mas é um aspecto mais simples de ser
endereçado do que a ausência de talentos, num momento em que o país vive uma
situação de pleno emprego e que é forçado a buscar profissionais qualificados
de fora para completar seus quadros.
Programas de desenvolvimento de
carreira bem estruturados também devem mostrar aos novos colaboradores que a
fidelidade, a paciência e a dedicação trazem frutos muito positivos no médio e
longo prazo, como ascensão profissional e aumento de remuneração. Nesse
sentido, devem ser apresentados cases de sucesso de colaboradores da própria
empresa.
De certa forma, as organizações estão
respondendo às exigências impostas pelo mercado e pela nova geração de
profissionais, com a criação de programas estruturados de estágio, de trainees e planos de carreira, que já
estabelecem com mais clareza as expectativas depositadas sobre os candidatos.
Mas um outro desafio ainda a ser enfrentado pelas empresas é em relação à
formação dos estudantes, principalmente seu comportamento. Os candidatos
mostram forte individualidade, ausência de espírito de liderança e imediatismo.
Pecam, também, por não entender a noção das responsabilidades que têm nas
tarefas designadas por seus superiores.
Para lidar com essa falta de
coletividade e espírito de equipe, algumas companhias procuram alinhar
recompensas com resultados operacionais, tornando os colaboradores parte
interessada no sucesso dos projetos, promovendo, assim, o engajamento. Além de
criar um vínculo mais sólido, esses programas voltados ao
intraempreendedorismo, que se vale de processos estabelecidos e comunicação
eficiente, permitem explorar a criatividade e a capacidade de inovação da
geração Y como o motor de um processo de oxigenação das estruturas e processos
corporativos, diluindo os possíveis momentos de confronto entre o já
estabelecido e o novo, o individual e o coletivo.
O estímulo ao intraempreendedorismo
também poderia estar presente no ambiente acadêmico. A criação de novos modelos
de negócio exige o exercício de diversas habilidades caras às organizações como
a clareza, a organização, o planejamento estratégico, promoção, execução e
gestão e monitoramento de resultados. Assim, os graduandos já desenvolveriam
essas habilidades antes mesmo de entrar no mercado profissional.
Posto isto, pode-se afirmar que as
faculdades e universidades realmente precisam entender a necessidade do mercado
de trabalho e de seus estudantes/ futuros profissionais e iniciar um processo
de coaching acadêmico voltado ao que
se espera dos formandos fora do ambiente estudantil e ao que setor corporativo
busca de seus profissionais. Isso amenizaria o choque desses jovens talentos
quando eles entram em contato com a realidade corporativa.
Nesse coaching, poderiam ser incluídos ciclos de desenvolvimento e workshops dedicados a aspectos
comportamentais, uma vez que os jovens só se dão conta de suas limitações nesse
campo (quando se dão conta) ao encararem a realidade nas companhias. Em
oficinas específicas, poderiam ser trabalhadas temáticas como o ajuste de
comportamentos entre profissionais de diferentes gerações, abordando, por
exemplo: como maximizar as oportunidades e diminuir os riscos; como foi a
convivência entre baby-boomers e seus
sucessores; como administrar os pontos de conflito com foco nas melhorias de
gestão nas organizações e nas entidades de ensino. Outra sugestão é realizar
eventos em que os recrutadores de empresas comentem com os estudantes os desvios
de comportamento enfrentados no mundo corporativo ao lidar com novas gerações,
com o objetivo de aprofundar a questão nos corpos discente e docente nas
universidades. Os cursos de graduação poderiam também contemplar disciplinas
focadas em técnicas de negociação, em processos decisórios ou na compreensão do
processo organizacional, para desenvolver habilidades importantes para o dia a
dia corporativo.
Essas mudanças precisam ser feitas em
todas as entidades de ensino superior, mesmo nas universidades e faculdades
mais renomadas. Nos EUA, Harvard, por exemplo, passa por uma profunda
reestruturação na organização de seus MBAs, que têm se tornado cada vez mais
focados na análise de casos práticos, privilegiando o desenvolvimento
sustentado em vez de ganhos de curto prazo. Isso ocorreu quando a reputação da
histórica entidade foi questionada ao ter vários de seus ex-integrantes de MBAs
envolvidos em escândalos após o estouro da bolha imobiliária nos EUA. A
universidade recebeu críticas por estimular a tomada de decisão focada apenas
nos ganhos imediatos, submetendo as organizações a riscos desnecessários e que
levaram várias instituições financeiras tradicionais à bancarrota. Em síntese,
os jovens profissionais precisam saber que há mais no mundo dos negócios do que
apenas ganhar dinheiro. E isso pode ser feito já na universidade, seja nos
cursos de graduação ou de pós-graduação.
Administrando de forma correta as
expectativas de parte a parte, será possível contar com profissionais
capacitados e extrair o melhor da geração Y, que poderá atuar como o motor da
inovação e flexibilização nas estruturas corporativas brasileiras. Lembrando
que as ações desenvolvidas nos dias de hoje poderão dar subsídios para que o
mercado absorva melhor as novas gerações que estão por vir. Definitivamente, os
desafios não param em um país em desenvolvimento como o nosso.
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Adriano Maluf Amui - São Paulo/SP Em Breve
26/06/2012 - São Paulo/SP
Adriano Maluf Amui - 03/07/2012 a 06/07/2012 - São Paulo/SP
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