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Abaixo relacionamos uma série de artigos sobre temas variados dentro do mundo de Vendas, Trade e Marketing.
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Artigo por Adriano Amui, 08/09/2011
Diz o ditado
popular: quem tem, tem medo. E o que poderia ser dito de uma camada razoável da
população brasileira que, antes de qualquer coisa, mal tinha o direito de
pensar em ter? Mas, nos últimos anos, com um aumento médio na renda, essa
população passou a dispor de recursos, tais como: conta corrente ( fruto da
crescente bancarização da população brasileira), diversidade de produtos e
serviços ( advindos da maior competição entre varejistas, indústria e
provedores de serviços) e crédito realmente acessível. Assim, a “nova classe C”
começou a (poder) consumir e possuir. Em alguns casos, chegou até a perder o
que conquistou, e, aprendendo uma valiosa lição, passou a usar as ferramentas
disponíveis para administrar riscos.
Foi neste cenário
que surgiram e vêm crescendo os chamados microsseguros, uma nova modalidade de
seguros que passou a integrar a vida de milhões de brasileiros, baseando-se em
um modelo diferenciado de precificação (prêmio - valor cobrado pelo seguro) com
taxas baixas de administração (na comparação com os seguros convencionais) e
parcelas acessíveis à chamada classe C,. Mas, antes de tratar do microsseguro,
é importante entender a ascendência dessa camada da população que permitiu a
ascensão desta nova modalidade de negócio.
O PERFIL DA NOVA
CLASSE C
A nova classe C,
nos últimos anos,ganhou cerca de 20 milhões de brasileiros egressos das camadas
mais pobres , alavancando o consumo e melhorando os índices de desenvolvimento
do País. É o que mostram as conclusões do estudo Observador, realizado pela
Cetelem, através do instituto de pesquisas Ipsos : a classe C saltou de 36% da
população brasileira em 2006, para 46%, chegando a um total de 86 milhões de
pessoas, em 2007.

(EXAME Ed.980 17/11/2010)
Essa alteração de
configuração significa que a desigualdade de renda vem decrescendo no Brasil,
mais precisamente, desde 2001, segundo estudos da FGV. Nesse cenário, a renda
per capita dos 10% mais ricos aumentou em 1,52% ao ano, enquanto a renda dos
mais pobres cresceu a uma taxa de 6,79% ao ano.
A consciência de
que se está lidando com uma nova camada populacional, com características
próprias, apresenta novos campos para a análise de profissionais ligados às
atividades de marketing, comunicação, vendas e trade marketing. Além do maior poder de compra da classe C, há
claramente uma mudança de mentalidade, estimulada, aliás, por ações de
comunicação e desenvolvimento de uma oferta mais adequada, desenvolvidas por
empresas que vêm trabalhando com foco nesse público. Um segmento que vem
adotando essa linha de comunicação são as seguradoras ou os intermediários
(grandes varejistas, por exemplo), que buscam construir uma identidade comum
básica, com a qual classe C se reconheça e, assim, perceba as mensagens e os
conteúdos como direcionados para ela e passem a entendê-los como boas práticas,
aplicáveis ao seu cotidiano. É dessa forma que trabalhadores passarão a
considerar o endividamento súbito, como o causado por um pequeno sinistro, um
grande entrave para a trajetória ascendente de suas famílias.
Essa nova
mentalidade do que são boas práticas se estende a situações como: a quebra de
um produto cujo conserto extrapola o orçamento familiar, uma situação súbita de
desemprego (que pode comprometer, por exemplo, o acesso à educação privada dos
filhos) ou mesmo o lucro cessante, quando se trata de um profissional autônomo
que precisa interromper suas atividades por motivo de doença ou acidente. Ao entrar
em contato com mensagens que alertam para os riscos, a nova classe C passa a se
conscientizar da importância de se precaver e constrói a noção de que gerenciar
esses pequenos riscos pode trazer impacto positivo significativo em suas vidas,
para evitar passar por situações possivelmente semelhante a colegas de bairro
ou de empresa, que sofreram os impactos negativos por não ter antevisto riscos.
MICROSSEGURO: O QUE
É?
Para entender
conceitualmente o que é microsseguro, é preciso, primeiro, saber o que é seguro
tradicional: aquele que o cliente procura uma empresa para transferir o risco
de que algo aconteça a um patrimônio próprio contra possíveis sinistros, como é
o caso de um carro ou uma casa protegida contra roubo ou incêndio, e, no caso
dos indivíduos, seguros contra acidentes ou morte. Em todas as modalidades, o
princípio é o mesmo: o segurado paga um valor X mensal (o prêmio) para manter a
apólice. O valor pago depende de uma série de fatores relativos à probabilidade
de sinistro, tais como local da residência, idade do segurado, características
do bem, enfim, toda uma matriz que determina o nível de exposição do bem e/ou
do segurado. Por exemplo, dois carros de igual valor de mercado poderão ter
valores de seguro totalmente diferentes se o índice de roubo de um determinado
modelo for três vezes maior do que o do outro. É a partir desta matriz que a
seguradora estabelece o custo do seguro (denominado tecnicamente de prêmio),
incluindo impostos e taxas de administração. A indenização (valor devido ao cliente
em caso de ocorrência do sinistro, que pode ser total ou parcial) é paga
conforme o sinistro (ocorrência de problema cujo risco se busca proteção no
seguro).
No caso dos
microsseguros, as apólices são de valores menores, podem cobrir acidentes com o
pagamento de parcelas mensais a partir de R$ 10, ou menos, e gerar indenizações
de, no mínimo, R$ 10 mil. Esses valores são, portanto, muito menores do que os
seguros tradicionais.
Além de saber o que
é, o mais importante é entender o potencial do microsseguro, quais são os seus
impactos e que vetores favorecem seu crescimento, bem como os desafios de
marketing e comunicação envolvidos na sua promoção.
Segundo um estudo
conduzido pela Funenseg - Escola Superior Nacional de Seguros e pela
Confederação Nacional das Empresas de Seguros, em 2009, os microsseguros já
estariam atendendo entre 23 a 33 milhões de clientes. Para esse perfil, esses
pequenos seguros são, por exemplo, feitos vinculados à extensão de produtos
eletroeletrônicos, modalidade que é mais conhecida pelo termo 'garantia
estendida' ou ainda o chamado seguro-funeral, que não é exatamente um seguro de
vida, mas visa reduzir o impacto que a perda de um ente querido acarreta para
as famílias da classe C, mas é claro que não se restringindo a estas duas
hipóteses.
O mesmo estudo,
realizado em 2009, aventava um horizonte de potenciais clientes que poderia
chegar a algo como 40 e 50 milhões de pessoas, ou cerca de 30% a 37% da
população adulta. Mas o horizonte pode ser ainda maior, como algo entre 128 milhões
de indivíduos das classes C e D com renda de até 3 salários mínimos. Nota-se,
com base nos números apresentados, que o mercado está em ampla expansão.
Mas não adianta
apenas haver crescimento no número de potenciais clientes, se não houver
crédito disponível. Ainda mais porque há uma estreita relação entre a oferta de
crédito e microcrédito e a emergência dos microsseguros. Os primeiros estimulam
a atividade econômica e o segundo garante sua continuidade. Não por acaso, na
Índia, pátria do microcrédito, com experiências de grande vulto como o Grameen
Bank, entidade mundialmente conhecida por ações de microcrédito, o público de
modalidades de microsseguros movimenta cerca de US$ 80 bilhões.
EDUCAÇÃO
CONTRIBUINDO NESSE NOVO NEGÓCIO
Se, por um lado, os
benefícios do microsseguro são claros, quando os clientes são apresentados a
eles, por outro, é importante entender que o que aconteceu não foi apenas a
emergência de um novo tipo de serviço, mas surgiu também uma nova necessidade
junto a este novo tipo de consumidor. Não foi somente o cenário com mais condições de consumo; o
público de baixa renda também passou a ter uma melhor formação, fruto de
avanços na escolaridade e de maior acesso à informação.
Não é leviano dizer
que há praticamente um consenso entre vários centros de pesquisa de que o
aumento da renda e a queda da desigualdade estão fortemente ligados aos avanços
na educação, além dos programas de transferência de renda, que envolvem o
incentivo à educação, como o Bolsa Família.
Claro que há também
o esforço por conta própria para a melhoria do nível de instrução. Segundo
dados da empresa de pesquisas Euromonitor, publicados pela revista Exame, o
brasileiro deve incrementar seus gastos com educação (em todas as classes),
fazendo os recursos destinados ao setor saltarem de US$ 91 bilhões para US$ 182
bilhões na próxima década.
Com mais instrução
formal, o consumidor que compõe a nova classe C, portanto, passará a demandar
mais serviços e a gerenciar melhor os riscos que poderia impactar em sua escalada
social.
CANAIS DE
DISTRIBUIÇÃO
Outro fator muito
importante para a rápida disseminação dos microsseguros foi a crescente
disponibilidade em canais próximos ao público consumidor. É o caso da
modalidade conhecida por garantia estendida, que acontece normalmente já no
ponto de venda e no ato da compra de um bem. Por exemplo, a compra de uma TV,
mesmo que adquirida mediante a contratação de crédito, seja via financiamento
por cartão ou via crediários nas cadeias de varejo ou financeiras, é sinal de
progresso e de avanço social para uma família de baixa renda, trazendo
realização tangível na forma de um bem e intangível no sentido de pertencimento
a uma nova classe que consome.
Considerando as
modalidades de garantia normalmente utilizadas pela maioria dos fabricantes
para produtos médios e de entrada - cerca de um ano -, é comum que as garantias
expirem antes mesmo do final do financiamento. Como administrar isso?
Adquirindo a garantia estendida, que, como o próprio nome diz, gera um
prolongamento dos prazos cobertos pelo fabricante. Quando é o caso do
parcelamento, acrescenta-se uma fração mínima aos valores mensais, provendo, assim, maior segurança ao
consumidor, que não precisará arcar com gastos de reparos eventuais, bem
maiores na ocasião de um defeito caso fossem pagas pela família.
Só esse exemplo,
claro, não explica a lógica do mercado. É importante considerar que o
consumidor raramente associa a garantia estendida como um serviço diretamente
ligado à cadeia varejista. Não raro ele confunde a garantia estendida à marca
do produto que está adquirindo, ou seja, ele não sabe que está contratando um
seguro. De qualquer forma, o fato de adquirir este ‘serviço’ em um
estabelecimento – no caso, a cadeia de varejo – que ele já conhece e com que se
relaciona há algum tempo, traz mais segurança e confiabilidade ao processo.
Outro elemento que deve afetar positivamente esta dinâmica é que quem propõe
este serviço ao cliente é o mesmo vendedor do produto físico, ou seja, aquele
que comercializa a TV, em um momento em que a interação entre ambos favorece a
compra ampliada, trazendo benefícios para toda a cadeia de valor: desde o
cliente, o vendedor (que será melhor comissionado), até a rede de varejo, que
perceberá uma melhor margem de contribuição nesta operação comercial.
O caráter informal
poderia beneficiar todo o processo, ajudando a vencer eventuais resistências
que este consumidor teria na contratação de um produto formal. Entretanto, o
foco e o treinamento do vendedor tipicamente estão orientados à venda do
produto e, assim, esta segunda fonte de receita é minimizada. Poderíamos dizer
ainda que, no caso de cadeias varejistas com mindshare relevante (por
força da marca, do marketing ou pela proximidade junto às comunidades), o
microsseguro usufrui, de certa forma, desta força de marca para aumentar sua
participação.
Diante dessas
considerações, que desafios se colocam à frente dos profissionais de vendas,
trade e marketing que trabalham com esta categoria?
O primeiro é
expandir a base de clientes, trabalhando na captação de novos segurados. Para
isso, é preciso entender que canais esses consumidores usam, que mídias
consomem, de que forma interagem e qual é a linguagem a ser adotada ao
comunicar algo? Mais do que isso, é fundamental conhecer a realidade e as
necessidades deste público, ou seja, desenvolver pesquisas de campo sobre a
percepção de riscos desses clientes potenciais, seus drivers de compra para
essa nova categoria, gerando, inclusive, inferências que afetarão até mesmo a
concepção dos serviços.
Outro ponto é
considerar quais são as possíveis formas para se capitalizar as boas
experiências desses clientes que já consomem os microsseguros, no sentido de
criar um efeito multiplicador. Uma sugestão é que esses clientes possam dar
seus depoimentos, que serão base para criação de peças publicitárias, ajudando
na criação de awareness sobre os serviços ou na identificação por similaridade
de perfis. Nesse sentido, vale a reflexão: será que o mecanismo das redes
sociais não se trata de um veículo poderoso para estes serviços? O céu é o
limite...
Bradesco
Vida & Previdência

O Bradesco Vida &
Previdência desenvolveu um produto voltado para as classes C, D e E chamado
“Primeira proteção”. Ele custa cerca de R$ 3,50 ao mês para o segurado, com
indenização de R$ 20 mil no caso de morte acidental. Há o benefício adicional de se concorrer a um
sorteio mensal no mesmo valor da indenização, adquirindo, assim, ares de um
título de capitalização. Em comunidades como a favela da Rocinha, no Rio de
Janeiro, o seguro é conhecido até como proteção para “bala perdida”, porque, neste local, por
exemplo, se percebe um risco de
que um indivíduo seja pego em um fogo cruzado, por exemplo.
Telhanorte

Outro caso de seguro associado a prêmios é o chamado Mega Sorte, criado pela rede de venda de materiais de construção Telhanorte: com valor de R$ 3,99, ele dá direito a um número para sorteio de R$ 15 mil pela Loteria Federal e ainda um seguro de acidentes pessoais no valor de R$ 1.000,00.
Carrefour - Soluções Financeiras

A Carrefour Soluções
Financeiras, ligada à rede de varejo, oferece 8 tipos de seguros exclusivos que
incluem: Proteção Financeira, Perda e Roubo do Cartão, Seguro Residencial,
Plano Odonto, Acidentes Pessoais e Autofácil, um seguro para proteção de
veículos com exclusividade para roubo e furto. A bandeira se vale de cartões de
crédito associados à marca, em
que o seguro contra roubo do cartão é visto como mitigador de risco.
Banco Palmas - Seguro Popular Palmas Microsseguros

A seguradora Zurich e o Instituto Banco Palmas, do Ceará, lançaram o Palmas Microsseguro: com pagamento único de R$ 27,30, o produto oferece seguro de vida, em caso de morte acidental ou natural, no valor de R$ 3 mil; assistência funeral de até R$ 1 mil; e um título de capitalização com sorteios mensais pela Loteria Federal de R$ 5 mil. O seguro pode ser contratado no próprio banco ou por meio de agentes comunitários filiados à instituição.

A Caixa lida com algumas ofertas de microsseguros: o Fácil Acidentes Pessoais, Fácil Residencial e o Seguro Amparo, com prêmio anual entre R$ 30 e R$ 60. São vendidos nas agências da Caixa e em 18 mil correspondentes bancários e casas lotéricas. O Seguro Amparo cobre morte acidental, dá assistência funeral e três cestas básicas para a família, em caso de falecimento, além de dar direito aos segurados de participar de sorteios mensais.
Cardif - Seguro Autofácil

A Cardif, seguradora do grupo
BNP Paribas, identificou uma grande oportunidade no mercado brasileiro e lançou uma nova categoria de
seguro automóvel, exclusivo para roubo e furto total do veículo, com instalação
gratuita de rastreador e sem análise do perfil do condutor. O objetivo é
proteger exatamente aquilo que é a maior preocupação da população - e oferecer uma alternativa com
valores mais acessíveis que o seguro auto tradicional. A empresa reformulou o
seu site, deu mais ênfase às redes sociais e oferece o seguro Autofácil com
mensalidades a partir de R$ 69,90.
A Polêmica:
Apesar de já serem comercializados no Brasil, alguns inclusive se apropriando do nome microsseguros, esta categoria ainda encontra-se em processo de regulamentação por parte do mercado segurador, sob gestão da SUSEP. Ou seja: é o mercado provocando e reagindo a demanda, para em seguida se estabelecer a regulamentação, que não é ágil vis a vis a oportunidade.
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