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Por quê qualificação profissional deixou de ser diferencial para ser pré-requisito no mercado globalizado.

Artigo por Adriano Amui, 01/06/2008

Estudos acadêmicos comprovam que o salário de um trabalhador é proporcional ao número de anos que ele permanece sentado no banco da escola. Portanto, pela lógica, ganha mais quem estuda mais. Agora, vamos pensar no Brasil, classificado em 52º lugar entre os 57 países avaliados pelo PISA, Programa de Avaliação Internacional de Estudantes. Segundo o IBGE, o Brasil apresenta dado preocupante entre a população de 25 anos ou mais, que soma 85,4 milhões no país: apenas 6,8% ou 5,8 milhões, concluíram o curso superior (graduação, mestrado ou doutorado). Então, fica a pergunta: como qualificar essa parcela da população e fazer com que esse profissional enfrente o mercado de trabalho?

O consultor Adriano Amui afirma que algumas empresas buscam suprir esta deficiência oferecendo educação básica, fundamental e até mesmo média e universitária a seus colaboradores.

No entanto, para ele, a qualificação deve ser uma responsabilidade compartilhada entre funcionário e empresa, mostrando o que ele chama de auto-desenvolvimento. “Os profissionais que acreditam no desenvolvimento autônomo se sentem mais livres para buscar os seus sonhos, e de fato encontram as melhores oportunidades”, avalia. Conseguir melhores oportunidades pode começar com a adequação desse profissional no mercado de trabalho, e muitos especialistas acreditam, inclusive, que cursos profissionalizantes ou de qualificação melhoram a auto-estima do funcionário e a qualidade do produto ou do serviço prestado.

A contrapartida é que fazer uma pós-graduação ou outros cursos, como os de línguas estrangeiras – tão importantes para qualquer profissional, nos dias de hoje - pode gerar barreiras como a distância do trabalho versus o horário de saída do escritório, além dos custos que podem ser altos e nem sempre se encaixam no orçamento do mês. “O importante é acreditar que a gestão da carreira é fundamental. Assim, pode-se poupar uma parte do salário e investir num objetivo específico que é a qualificação e o aprimoramento”, explica Amui.

Nesse cenário altamente competitivo, muitas pessoas se esquecem de desenhar um plano de carreira ao longo prazo, o que muitos profissionais de RH caracterizam como infidelidade corporativa.

Amui ressalta a importância de não se confundir falta de fidelidade com o respeito por seu próprio plano de carreira, e justifica a teoria de que prefere o profissional que busca um plano de carreira próprio e não corporativo. “A famosa dança das cadeiras ou o pula-pula de posições e empresas, não dá resultados para o mercado”, afirma.

Por tudo isso, é importante que a pessoa se conheça bem, goste do que faz e tenha foco. Ter um objetivo a atingir e iniciativa para o auto-desenvolvimento, são fortes aliados para aqueles que buscam sucesso. Dentro de um mercado globalizado, a qualificação profissional deixa de ser, portanto, um diferencial e passa a ser pré-requisito.

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