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11/07/2011
Adminstradoras de cartões de crédito encontram chamariz para público de baixa renda.
Roberto Carlos já foi o rei da Jovem Guarda, das paradas de sucesso em cruzeiros marítimos e agora sua majestade se estende ao universo dos cartões de crédito. Para quem não se cansa de ouvir "Se chorei ou se sorri /O importante é que emoções eu vivi..." a Credicard lançou um cartão batizado com o nome do sucesso: o Credicard Emoções.
O plástico traz estampada uma foto de Roberto Carlos no clássico terno branco e benefícios sob medida para agradar as fãs. A cada R$ 50,00 em compra, o cliente ganha um número da sorte e concorre a cruzeiros, coletâneas de CDs e, como não poderia deixar de ser, ingressos para shows do rei. A primeira anuidade do cartão é R$ 58,50 e as demais, R$ 117,00, valores que podem ser parcelados. O preço salgado não é empecilho para quem é fã de carteirinha.
Os prêmios do Credicard Emoções podem agradar somente as ferrenhas tietes do rei, mas fazem parte de uma tendência cada vez mais comum no mercado de cartões de crédito: os programas de benefícios que vão além das milhas aéreas para tentar fisgar - e fidelizar - o consumidor das classes de menor renda. Nessa disputa, os emissores criaram programas que oferecem desde descontos em supermercados e créditos para celulares pré-pagos, até oportunidades de conhecer ídolos da Jovem Guarda.
Com os novos benefícios, as emissoras de cartões de crédito esperam atrair uma parcela maior das classes de menor renda - justamente as que lideram a expansão do consumo no país. Pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) mostra que, em 2010, 43% dos entrevistados da classe C possuíam cartão de crédito. Em 2009, o percentual era 38%. Para as classes D e E, o percentual de 2010 era 20%, o mesmo em 2009. Um estudo da Visa de 2011, com uma base menor de participantes, indicou que 51% dos integrantes da classe C têm cartão de crédito.
Até agora, os benefícios inovadores têm se mostrado um sucesso. O cartão de Roberto Carlos vendeu cerca de 36 mil unidades em 45 dias. Para se ter uma ideia, a venda total de cartões da Credicard é de cerca de 200 mil unidades por mês. Outro produto que a empresa considera um sucesso, o D Super, voltado para classe C, vende 30 mil cartões ao mês. O D Super oferece como atrativo desconto em compras no supermercado, conforme o gasto do consumidor. A anuidade é menor que a do Emoções: R$ 42,00 a primeira e R$ 87,00 as demais.
"Nós queremos virar a Havaianas do cartão de crédito", diz Luiz Almeida, superintendente de produtos da Credicard, fazendo referência ao sucesso da democrática marca de chinelos. Segundo ele, dados da Credicard mostram que os clientes que mais ativamente promovem a empresa são os de baixa renda. "A classe A está muito bem atendida com programas de benefício. O grande desafio é fazer algo interessante para a classe C", diz. Além de programas de descontos, Almeida cita sorteios como uma modalidade de benefício atraente para classe C.
Independentemente do tipo de benefício, o desafio das emissoras é desenhar um programa que ao mesmo tempo agrade o cliente e caiba no orçamento. "O crédito para o celular pré-pago, a meu ver, costuma ser uma alternativa às milhas para baixa renda", diz José Carvalho, sócio-diretor da Cardmonitor, empresa que presta consultoria para emissores de cartão. Segundo pesquisa da Cardmonitor, cerca de 45% dos entrevistados com renda até R$ 1,1 mil consideram minutos gratuitos para celulares benefício altamente atraente.
De olho nessa atratividade, os emissores de cartão lançaram produtos que transformam gastos em créditos. O Banco do Brasil tem um cartão de crédito com anuidade de R$ 66,00 que pode ser convertida em minutos.
O Bradesco também possui um produto semelhante. Para Vinícius Favarão, diretor da Bradesco Cartões, os minutos são uma forma de recompensa na qual o cliente das classes menores percebe muito valor. "A baixa renda não precisa de pontos que nunca expiram para trocar por milhagens, já que não viaja", diz
Segundo Favarão, o Bradesco percebeu que as recompensas que mais agradam as classes C e D são as imediatas. Ele diz que o prêmio precisa ser dado em até três meses.
Fernando Teles, diretor de cartões do Itaú, concorda. Nesse sentido, ele considera que os descontos que os donos de Itaucard têm em entradas de cinema, teatro e jogos de futebol sejam ainda mais efetivos nos consumidores de baixa renda. "É um benefício instantâneo e que se manifesta o tempo inteiro".
Outra adaptação que o Itaú fez para atrair a classe C para programas de pontos foi incluir produtos de tíquetes mais baixos no catálogo de trocas. "Nós temos TVs de LED e iPhones, mas também oferecemos de torradeira a chapinha", diz Teles.
Fonte: Valor Econômico
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Adriano Maluf Amui - São Paulo/SP Em Breve
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Adriano Maluf Amui - 03/07/2012 a 06/07/2012 - São Paulo/SP
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