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Modelo de atacado no Brasil é questionado

28/10/2011

Modelo de atacado no Brasil é questionado

Analistas estrangeiros debatem as operações do Carrefour no Atacadão e do Walmart na Bandeira Maxxi.

Os resultados das redes Carrefour e do Walmart no setor de atacado no Brasil tem sido alvo de questionamentos. Analistas estrangeiros quiseram entender por que o Atacadão registrou expansão de 5% nas vendas mesmas lojas (unidades em operação nos últimos 12 meses) de julho a setembro de 2011. "Eu fiquei surpreso com esses 5%. Então, o que especificamente mudou lá?", perguntou John Kershaw, analista do Bank of America-Merrill Lynch. "O que há de errado com o Atacadão, afinal?", reforçou Edouard Aubin, do Morgan Stanley, durante conferência com analistas neste mês.


Em relação ao Maxxi Atacado, do Walmart, a questão foi levantada pela própria empresa, ao comentar a forma como a varejista tem administrado os modelos de lojas pelo mundo. "O formato com pior desempenho no Brasil por um tempo tem sido o Maxxi", afirmou, recentemente, Doug McMillon, presidente do Walmart International. "Mas [o Maxxi] está ficando melhor. A equipe tinha uma estratégia, eles implementaram essa estratégia, os melhoraram os preços do mix e que o cliente respondeu de forma adequada".


Os casos das duas redes não são comparáveis, apesar de parecer, com base nas declarações, que ambas estão com desempenho abaixo do esperado.


Na análise do Atacadão, a expansão de um dígito da rede é reflexo da base de comparação alta do ano anterior. "São bases altas nos últimos três anos. Vocês têm que colocar isso em perspectiva" rebate Pierre-Jean Sivignon, chefe da área financeira do Carrefour no mundo. Perguntado se o modelo já terial alcançado o amadurecimento no Brasil ou se o formato poderia voltar a atingir taxas de crescimento de dois dígitos, Sivignon defendeu o negócio.


"Não está maduro. O conceito está em movimento, lojas estão sendo convertidas em Atacadão a cada trimestre. Então, por favor, vocês têm que olhar isso dentro de contexto", explicou o executivo. A rede Assaí, com 59 lojas no Brasil, cresceu 15% (mesmas lojas) de julho a setembro, apurou o valor, bem acima da taxa do Carrefour.


O quadro de lojas do Atacadão pode ajudar a entender o raciocínio dos especialistas. Quando o Carrefour comprou o Atacadão, a rede tinha 34 lojas - ao ser vendido, o Assaí tinha cerca de 14 pontos e o Maxxi, 12 lojas. O volume de lojas mais antigas do Atacadão é maior, portanto. Quanto maior a base de novas lojas, melhor o desempenho, porque essas unidades "turbinam" o resultado. Perde-se no tempo que leva para a loja "pagar" esse investimento de abertura.


O grupo Carrefour informou na França, no começo do ano, que planejava abrir 17 lojas Atacadão no país em 2011. Hoje, a rede tem 76 pontos.


Em relação ao Maxxi, do Walmart, a rede passou por um processo de reformulação do formato e informa que os ajustes têm trazido resultados. Segundo a companhia, o Maxxi já tem alcançado expansão na casa dos dois dígitos, disse a rede, sem informar o número. As mudanças no modelo nos últimos quatro anos envolveram alterações no mix de produtos, revisão da política de definição de preços e ajustes na cadeia de distribuição de produtos. São 57 pontos do Maxxi no Brasil e seis lojas terão sido inauguradas em 2011.


Fonte: Valor Econômico



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